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Por Alexandre Landucci | Mootag
Descubra como transformar sua comunicação em narrativas envolventes, com um storytelling que cativa clientes e diferencia sua marca.

Foto de Arshad Sutar

Vivemos em uma era de excesso de informação. A cada dia, somos bombardeados por anúncios, ofertas e conteúdos disputando nossa atenção. No meio desse mar de mensagens, como fazer sua marca se destacar? Contando uma história, ou em termos mais técnicos, através do storytelling.

Ele é a espinha dorsal que dá vida a qualquer estratégia de marketing. Se a marca não tem uma história para contar, ela se transforma numa espécie de mapa sem destino – chama atenção, mas ninguém tem vontade de segui-lo. 

O poder do storytelling é o de transformar dados frios e argumentos racionais em experiências emocionantes e memoráveis. Quando uma marca se limita a listar especificações e benefícios, está apenas transmitindo informações. E informação, o consumidor encontra em TODO lugar, a TODO o tempo. 

Mas se ela constrói uma narrativa, conquista o consumidor. Ninguém compra apenas produtos, compramos emoções, pertencimento e identidade.

E quem domina essa arte? 

Pense na Apple: ela não vende apenas tecnologia, mas inovação e status. Raramente fala sobre o processador ou memória RAM; prefere mostrar pessoas criando, inovando e se destacando no mundo. 

A Nike não vende apenas roupas esportivas, mas sim histórias de superação. 

A Coca-Cola, por sua vez, não foca em ingredientes ou fórmulas – ela vende momentos felizes e celebrações. 

O Airbnb não é apenas um serviço de hospedagem, mas uma narrativa sobre pertencimento e experiências autênticas. Eles não falam de quartos e casas, mas se concentram em contar as histórias de quem viaja.

A Dove, ao entender que “mulheres reais” são suas consumidoras, mudou a forma como o mercado de beleza apresenta seus produtos. Por que não dar voz a elas?

Foto de Borja Lopez

Ser ousado compensa 

A construção do storytelling muitas vezes exige uma inesperada ousadia. Um bom exemplo disso é a campanha da marca de roupas outdoor Patagonia, que pediu aos consumidores que não comprassem seus produtos, caso realmente não precisassem. Além de abraçar uma causa a partir da perspectiva de seu produto, a marca gerou buzz e reconhecimento, atraindo atenção de consumidores que antes não a conheciam ou consideravam. Esse posicionamento forte e ousado se destacou em um mercado saturado e fez a marca ser lembrada.

Porém, um aviso: quando você for construir um storytelling para a marca em que trabalha, pense nisso: ele deve sempre ser realmente crível diante da realidade da marca. Já dizia a vovó: mentira tem perna curta, e ludibriar o consumidor com uma imagem que não conversa com a realidade do produto, não engaja. Ao contrário, cria ranço e evita com que os consumidores se conectem com sua proposta. 

E como podemos aplicar isso na prática? 

Imagine que você tem um e-commerce de celulares recondicionados. Ao invés de simplesmente dizer “temos os melhores preços”, você pode construir uma narrativa que mostre como um estudante conseguiu trocar de aparelho sem comprometer seu orçamento e ainda ajudou o meio ambiente. Ou talvez você queira contar a história de um pequeno empresário que economizou ao trocar seu celular e usou o dinheiro poupado para investir no crescimento de seu negócio. Ou que o consumidor não sabe que tem “dinheiro parado na gaveta” e que pode utilizar esse bem, que está parado, como fonte de renda. 

Se sua empresa vende notebooks, não basta dizer “bateria dura 12 horas”. Ao invés disso, mostre alguém que passou o dia inteiro trabalhando de um café sem precisar procurar uma tomada. Ou um estudante que revisou toda sua matéria para a prova sem interrupções. Quando você dá vida ao benefício de um produto, ele se torna real para o consumidor e, assim, mais atraente.

Como construir um storytelling eficiente?

Criar um bom storytelling é como escrever um roteiro de cinema. Ele precisa de estrutura, emoção e um propósito claro. Para isso, a história precisa seguir algumas etapas importantes:

  1. O Protagonista – Seu Cliente
    Toda boa história precisa de um herói, e no marketing, esse herói é o cliente. Ele deve ser o centro da narrativa. Em vez de focar apenas na marca, mostre como seu produto transforma a vida do consumidor. 
  2. O Conflito – O Problema a Ser Resolvido
    Toda história precisa de um desafio. Sem conflito, não há envolvimento emocional. O consumidor precisa se identificar com o problema apresentado para se conectar à solução oferecida pela sua marca. Faça com que esse conflito seja uma dificuldade no dia a dia, um desafio de compra ou um obstáculo no estilo de vida do cliente.
  3. O Guia – Sua Marca Como a Solução
    Seu produto ou serviço deve ser apresentado como o elemento que ajuda o protagonista a superar o desafio. Lembre-se sempre: sua marca não é o herói da história, mas o guia que conduz o cliente à vitória. A marca não é a estrela do filme, mas a facilitadora da jornada.
  4. A Transformação – O Impacto da Solução
    O final da história deve mostrar como a vida do protagonista melhorou após a solução apresentada pela marca. Isso reforça o valor do produto e cria um laço emocional com o consumidor. 

Foto de Engin Akyurt

Como colocar isso em prática?

  1. Crie personagens reais
    Use depoimentos, cases de clientes ou até mesmo narrativas fictícias inspiradas no público-alvo. Autenticidade e personalização tornam a marca mais próxima do consumidor e fortalecem a conexão.
  2. Utilize formatos variados
    Storytelling não se limita a um único formato. Vídeos, posts em redes sociais, artigos e até mesmo campanhas publicitárias bem varejistas, onde o preço é a base da comunicação, podem ser construídas com storytelling. 
  3. Use gatilhos emocionais
    Histórias que despertam emoções como alegria, inspiração ou nostalgia têm um impacto muito maior. Não se trata apenas de vender um produto, mas de criar uma experiência emocional para o consumidor.
  4. Mantenha a autenticidade
    Como dissemos acima, não ache que o público é ignorante. Ele percebe quando uma história soa artificial. Por isso, conte narrativas verdadeiras e alinhadas com os valores da sua marca. 
  5. Construa uma jornada contínua
    O storytelling não precisa estar presente apenas em uma campanha isolada. Ele pode ser a base da identidade da marca ao longo do tempo. Desenvolva uma narrativa contínua, onde o cliente possa sentir que está fazendo parte da história da marca ao longo de sua jornada de compra e pós-compra.

Em resumo, storytelling não é apenas uma técnica criativa, mas um diferencial competitivo. Em um mercado saturado, o que realmente faz uma marca se destacar é a sua capacidade de criar conexões profundas com o público. 

Ao construir histórias envolventes e autênticas, você não só gera interesse, mas também fortalece laços duradouros. Uma narrativa bem construída não vende apenas um produto, mas um significado, um porquê, tornando a marca parte da vida das pessoas. No fim, não se trata apenas do que sua marca vende, mas do que ela faz as pessoas sentirem – e é isso que fica.

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